PROPOSTA - PARTE 21 E 22 - DE ALLAN PERCY,DO LIVRO: OSCAR WILDE PARA OS INQUIETOS


21 – A única diferença que existe entre um capricho e uma paixão eterna é que o capricho dura um pouco mais.
Não é preciso pertencer à realeza nem ser um intelectual excêntrico como Oscar Wilde para sair da rotina e proporcionar-se alguns caprichos de vez em quando. Desfrutar bons momentos depende apenas de ter bom gosto e saber distinguir as oportunidades, tais como:
·        Assistir a um filme na primeira sessão, com a sala do cinema praticamente vazia.
·        Escolher um livro de culinária e preparar pratos exóticos para amigos queridos que não vê há tempos.
·        Dar-se ao luxo de ler um livro que nunca esteve e provavelmente jamais chegue à lista de mais vendidos.
·        Tocar um instrumento que não dominamos, pelo simples prazer de experimentar.
·        Escrever um poema e enviá-lo por e-mail à pessoa que o inspirou.
·        Dormir num horário em que a maior parte das pessoas está acordada.
·                  Passar a noite assistindo a filmes antigos.
·                  Improvisar ao menos uma vez.

22 – Como não foi genial, não teve inimigos.
A escritora Care Santos comentou certa vez que alguém que chegue aos 30 anos sem alguns bons inimigos é uma pessoa digna de piedade, pois isso significa que ela não conseguiu nada na vida.
Com uma perspectiva bastante diferente dessa, mas que a complementa, o budismo nos ensina que o inimigo é nosso melhor mestre. Assim disse o Dalai-Lama:
Nunca devemos usar nossos inimigos como desculpa para não praticarmos a calma, nem dizer que eles são a causa de nossa irritação. Se não estamos sendo pacientes é porque não estamos praticando com afinco. Não podemos dizer que o mendigo é um obstáculo à generosidade, já que é justamente sua razão de ser. Por outro lado, as pessoas que nos irritam e põem nossa paciência à prova são relativamente poucas. E, para exercitarmos a paciência, precisamos de alguém que nos ofenda. Encontrar um verdadeiro inimigo é tão incomum que deveríamos nos alegrar por tê-lo e apreciar os benefícios que ele nos oferece. Ele é digno de respeito pelo simples fato de nos permitir praticar a paciência e merece ser o primeiro a receber os méritos daquilo que nos possibilita alcançar.
Ecoando essas palavras, o poeta Khalil Gibran assegurava ter aprendido “o silêncio com o falastrão, a tolerância com o intolerante e a amabilidade com o grosseiro”. Portanto, que esses mestres sejam bem-vindos.

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