PROPOSTA - PARTE 41 E 42 - DE ALLAN PERCY,DO LIVRO: OSCAR WILDE PARA OS INQUIETOS


41 – Nos tempos atuais, os jovens pensam que o dinheiro é tudo, algo que comprovam quando ficam mais velhos.
Nossa relação com o dinheiro muitas vezes ultrapassa o plano econômico para atingir nosso estado de espírito. De acordo com a forma como as pessoas se relacionam com a riqueza, o jornalista cultural David Barba define dois grupos:
Esbanjamento. Para os que movimentam o dinheiro de forma perdulária, ele é um símbolo masculino, patriarcal. Por isso há mulheres que se livram dele com tanta facilidade: ele lhes queima as mãos.
Neurose de pobreza. No outro extremo, temos pessoas que tratam o dinheiro como se ele fosse algo impuro, que pudesse maculá-las. São indivíduos que se negam a manejá-lo com inteligência, porque no fundo não querem que as coisas corram bem. Desejam permanecer santos, sentem que precisam viver na pobreza, por isso o dinheiro os evita.


42 – Convém ser moderado em tudo, até na moderação.
Buda nos orienta a viver longe dos extremos, inclusive do extremo da prudência. Embora Oscar Wilde não tenha sido exatamente um homem comedido, no aforismo acima ele aponta para a filosofia que o poeta chinês Li Mi-an resumiu magistralmente:
O melhor costuma ser, neste mundo, descobrir o que está entre os extremos; o meio a meio, fórmula mágica, dará mil e mil satisfações [...]. Sábio em uma metade, em outra fidalgo, vive pelo meio o esforço e o repouso. Sem te isolares, não dês confiança de mais. Procura ter de tudo em tua casa, sem nada de ostentoso nem arrogante [...]. Quando te embriagares, faz isso sempre pela metade. A flor meio aberta é mais bonita, com meia vela seguem bem os navios e à meia-rédea trotam os cavalos.
O caminho do meio que Buda pregava não implica renunciar aos prazeres, mas eliminar os que nos prejudicam. Se soubermos encontrar o equilíbrio entre o excesso e a renúncia, transformaremos nossa vida em um caminho agradável e sem sobressaltos.

Nenhum comentário:

Postar um comentário