PROPOSTA - PARTE 61 E 62 - DE ALLAN PERCY,DO LIVRO: OSCAR WILDE PARA OS INQUIETOS

VIAGEM A LAGUNA - PROFª.CLEIDE TAMANINI BOGO

61 – As desventuras são suportáveis porque vêm de fora, são meros acidentes. É no sofrimento causado pelas nossas próprias faltas que sentimos a ferroada da vida.
Em um dos melhores contos de Graham Greene, um vilão sai livre e sorridente de seu julgamento, depois de conseguir que as provas que o incriminavam fossem consideradas insuficientes. Entretanto, ao atravessar a rua, morre atropelado. Em suas últimas palavras, pouco antes de fechar os olhos para sempre, ele agradece por ter sido a providência divina a condená-lo, não os votos de um júri: “Odeio ser julgado pelos outros, prefiro que sejam as circunstâncias a me julgar.”
Muitos de nós, talvez por causa do excesso de zelo de nossos pais, nos acostumamos a ser desculpados de qualquer falta e a receber mais amor do que merecemos. Então temos dificuldades em aceitar que um estranho nos ponha em nosso devido lugar. Aprender a aceitar julgamentos sobre si mesmo é um gesto de sabedoria.

62 – Escolho meus amigos pela beleza, meus conhecidos pelo caráter e meus inimigos pela inteligência.
Nossas exigências em relação às pessoas dependem do lugar que elas ocupam em nossas vidas. Os amigos estão em fotos de nossos álbuns de família; dos conhecidos, às vezes nem ao menos nos lembramos.
Aos conhecidos, desculpamos sua informalidade. Dos amigos, aqueles que convidamos para jantar, esperamos que nos proporcionem uma conversa agradável e que tenham boa educação.
Por fim, dos inimigos, como aconselha Oscar Wilde, esperamos que demonstrem inteligência, para não sentirmos que entramos em um embate sem adversário à altura.

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