PROPOSTA - PARTE 66 E 67 - DE ALLAN PERCY,DO LIVRO: OSCAR WILDE PARA OS INQUIETOS


66 – O tolo nunca se recupera de um sucesso.
Quando um sucesso nos sobe à cabeça, corremos o risco de perder... a própria cabeça. Isso acontece por sermos jovens demais, ou imprudentes demais, ou por sentirmos necessidade de fortalecer nossa autoestima. Ou ainda, simplesmente, por estarmos há muito tempo esperando que algo assim aconteça e não querermos deixar que acabe.
Andy Warhol dizia que, mais cedo ou mais tarde, a fama chega para qualquer pessoa, mas dura apenas 15 minutos. O sucesso é tão fácil e tão complicado quanto ganhar na loteria: há quem consiga logo na primeira tentativa e quem jamais receba um centavo, apesar de jogar sempre. Na loteria, o que vale é o acaso; no sucesso profissional, valem a persistência e o talento. Muitos talentos são desperdiçados por falta de persistência, assim como muitas pessoas se esforçam em atividades para as quais não foram feitas.
Seja como for, a diferença entre o sucesso tolo e o inteligente é que o primeiro só acontece uma vez, é fruto do acaso e passageiro, enquanto o segundo pode se repetir sempre, porque é resultado da atitude pessoal.

67 – Quando a pessoa está apaixonada, começa por enganar a si mesma e acaba enganando os outros. Isso é o que o mundo chama de romance.
Para muita gente, o amor é uma aposta: tudo ou nada. Quem joga assim está equivocado. E no eixo desses enganos gira um bom número de obras literárias. Dom Quixote dedicava cada uma de suas façanhas a Dulcineia, uma pobre camponesa que ele havia idealizado, mas com quem nunca chegou a se casar; outros personagens mais sinistros, como o protagonista de O vermelho e o negro, de Stendhal, fingem estar apaixonados porque com isso esperam obter poder e dinheiro.
Os filósofos orientais nos aconselham a ver o amor como um jardim que deve ser cultivado todos os dias, seja inverno ou verão. Sua forma de entender o amor é muito semelhante a ver uma planta crescer.
Já nós, ocidentais, preferimos histórias mais intensas e, se possível, dramáticas: os amores impossíveis de Romeu e Julieta ou as paixões aflitivas de O morro dos ventos uivantes.
Mas certamente o amor, o verdadeiro amor, é uma história ainda sem registros. Os romancistas ocidentais o transformam em um espetáculo público e os “jardineiros” orientais, em uma experiência íntima. Uns o vivem de forma breve e intensa, às vezes trágica até, ao passo que outros se conformam em vivê-lo de maneira suave e plena. Cabe a cada pessoa escolher qual é a melhor opção para si.

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