PROPOSTA - PARTE 72 E 73 - DE ALLAN PERCY,DO LIVRO: OSCAR WILDE PARA OS INQUIETOS


72 – A educação é algo admirável, mas é bom recordar que nada que valha a pena saber pode ser ensinado.
A educação nos transforma em seres civilizados, mas também pode nos escravizar. Por isso, toda leitura deve ser feita com uma dose de crítica. Se lemos os clássicos, não é para viver como os grandes pensadores de séculos atrás, mas para viver melhor nos tempos de hoje. Assim como a admiração que temos por um mestre ceramista não nasce do fato de ele manipular o barro com desenvoltura, mas sim por dar-lhe forma, não admiramos um sábio por aquilo que ele aprendeu, mas pelo muito que pode ensinar. A educação deveria consistir em algo assim: uma longa viagem que partisse dos clássicos e às vezes acabasse na Lua.
Podem nos ensinar disciplinas como matemática ou latim, mas a arte de viver é algo que aprendemos ao longo do caminho. É a única educação que realmente deveria importar – e não deveria se restringir à infância ou à juventude. Quem deixa de aprender já está morto em vida. 
73 – Crie a si mesmo. Seja seu próprio poema.

Muitos leitores do poeta Jaime Gil de Biedma afirmam que o melhor de sua obra é uma frase que está na quarta capa de seu único livro. No trecho referido de Las personas del verbo, o escritor, tão amante dos prazeres da vida como Oscar Wilde, lamentava-se de ter trabalhado como poeta, quando o que desejava era “ser poema”. Ou seja: ser ele mesmo a vida vibrante, em vez de explicá-la.
Embora Biedma se dedicasse à poesia, cabe aqui lembrar a classificação que certa vez um crítico elaborou sobre os romancistas:
Os que escrevem histórias apaixonantes levam vidas tediosas. De outro modo, não encontrariam tempo para criar suas obras-primas. Os que levam vidas disparatadas e cheias de aventura produzem livros medíocres porque estão tão ocupados em viver que não têm tempo de escrever romances melhores.
Que tipo de escritor você deseja ser: poeta ou poema?

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