KAFKA PARA SOBRECARREGADOS - DE ALLAN PERCY - PARTE 25 E 26



25 – O animal arrebata a coleira do dono e com ela açoita-se a si mesmo para, por sua vez, sentir-se dono, sem saber que tudo não passa de uma fantasia.

Pode parecer estranho, mas há pessoas que têm pavor do sucesso e se dedicam a autoflagelar-se e a boicotar-se.
Há várias razões para termos medo do sucesso:
–A primeira é que, uma vez alcançado o êxito, temos sempre de provar por que estamos ali e perdemos o direito de errar ou de fracassar. Precisamos nos manter no topo.
–A segunda é que o sucesso pode ser sinônimo de responsabilidades, estresse e esforço.
–A terceira pode ter origem na baixa autoestima: a falta de confiança em nós mesmos nos faz acreditar que não merecemos tal triunfo.
–A quarta é que temos medo de que o sucesso desperte a inveja ou o ciúme das pessoas à nossa volta e que isso atrapalhe nossas relações sociais.
–Por último, a quinta é a possibilidade de que, se chegarmos ao topo, não nos restem objetivos pelos quais lutar e nossa vida se torne monótona.
Todas essas razões costumam ser exageradas, grãos de areia que transformamos em montanhas, e frequentemente nem nos damos conta disso.

26 – É melhor ter e não necessitar do que necessitar e não ter.

Ter muito dinheiro ou ser uma celebridade não significa ser esbanjador, extravagante ou caprichoso. Há pessoas muito abastadas que vivem de forma simples.
Um bom exemplo disso é Warren Buffet, que até pouco tempo atrás era a pessoa mais rica do mundo. Em cinquenta anos, jamais se mudou de casa, embora pudesse morar em uma mansão. Detesta iates e carros luxuosos, que considera brinquedos supérfluos. Apesar de poder frequentar os melhores restaurantes, sente-se satisfeito em comer um hambúrguer com batatas fritas.
Ingvar Kamprad, fundador da multinacional de móveis Ikea, possui uma enorme fortuna, mas valoriza de tal modo seu dinheiro que sempre tenta dar exemplo. Ao ir para o trabalho, costuma utilizar o transporte público, e, quando precisa pegar seu carro, dirige seu Volvo com mais de quinze anos de uso. 
Essas pessoas que podem esbanjar, mas vivem de forma comedida são um exemplo e um consolo em tempos de crise, já que, com seu exemplo, demonstram que podemos viver como milionários (inteligentes) sem termos um único centavo.

PAINEL PARA COPA 2014 - NA EEBLB - TAIÓ - COLABORAÇÃO DAS ALUNAS DO 3º.ANO EMI :VIVIAN KRAUSE,GRISLENE PALHANO E DÉBORA J.CORRÊA





KAFKA PARA SOBRECARREGADOS - DE ALLAN PERCY - PARTE 23 e 24


23 – Como um caminho no outono: assim que é varrido, volta a cobrir-se de folhas secas.
Um antigo conto zen fala de um monge que tinha a obrigação de varrer as folhas do pátio do mosteiro. Como cada vez que ele terminava sua tarefa aparecia uma nova folha trazida pelo vento, ele adquiriu o hábito de sempre deixar uma no chão, para que não tivesse de sofrer por isso.
Esta breve história é uma alegoria perfeita sobre os problemas. Costumamos sofrer mais pelo medo das atribulações do que pelas atribulações propriamente ditas, pois nem sempre elas acontecem de fato.
Como um monge que deseja manter o chão sempre imaculado, aspirar a uma vida sem dificuldades é um grande sofrimento, pois a ausência de complicações não é algo natural.
O diretor de cinema Woody Allen expressou muito bem essa ideia: “A melhor maneira de ser feliz é gostar de seus problemas.” Ele tem toda a razão, porque problemas nunca irão nos faltar, assim como as folhas secas no pátio do monge.

24 – A desgraça de Dom Quixote não era suas fantasias, mas o ceticismo de Sancho Pança.
A que Kafka se refere com este aforismo? Claramente à capacidade de Sancho Pança de desfazer – ou pelo menos tentar desfazer – os sonhos e as fantasias de seu senhor, Dom Quixote.
O célebre escudeiro do romance de Miguel de Cervantes é realista e sentencioso, não para de recorrer à sabedoria popular, ao status quo, à maneira como as coisas sempre foram.
Na realidade atual, Sancho Pança se assemelha aos vampiros de energia que desejam nos convencer de que nossos sonhos não podem ser concretizados e que nem sequer vale a pena tentar realizá-los. Esses especialistas em dinamitar projetos alheios costumam ser acomodados e não suportam que os outros cheguem aonde eles não se atrevem a se aventurar.
Qualquer pessoa que acredite em seus sonhos deve se afastar desses pessimistas agourentos que não têm uma única palavra de incentivo a oferecer.

ATLETA NA ESCOLA - MODALIDADE - VÔLEIBOL - NA EEBLB - TAIÓ












10ª.OLIMPÍADA BRASILEIRA DE MATEMÁTICA DAS ESCOLAS PÚBLICAS - 2014










KAFKA PARA SOBRECARREGADOS - DE ALLAN PERCY - PARTE 21 e 22

21 – O vazio que a genialidade produz à nossa volta é um bom lugar para acendermos nossa pequena luz.
Antigamente acreditava-se que ter inspiração era receber um presente dos deuses. Existiam até orações para invocar as musas. Para a religião cristã, a inspiração era um dom do Espírito Santo.
O escultor italiano Michelangelo Buonarroti, no entanto, mostrou-se à frente do seu tempo ao falar sobre o vazio mencionado por Kafka. Esse grande artista do Renascimento era capaz de olhar para um bloco de mármore e ver dentro dele as formas que iria criar. Ele simplesmente precisava retirar a pedra que sobrava.
Se transpusermos essa ideia para nosso cotidiano, chegaremos à conclusão de que para criar beleza em nossa vida devemos apenas eliminar aquilo que nos sobra. Quando os maus hábitos, as ideias preconcebidas, o ódio, o rancor, a comparação com os outros e os demais parasitas mentais estão fora de nossa cabeça, cria-se o espaço necessário para se moldar uma existência bela. 
22 – Comece pelo que é correto, não pelo que é aceitável.
Esta verdade, muitas vezes esquecida, nos remete aos fundamentos da ética, como a proposta por Aristóteles a seu filho Nicômaco.
O ponto de partida da ética de Aristóteles é que o objetivo de todo ser humano é a felicidade e, para alcançá-la, é necessário estudar a natureza humana. A Ética a Nicômaco é composta de dez livros, cada um deles tendo, em média, dez capítulos. No primeiro livro, o autor determina em que consiste a felicidade e chega à conclusão de que só se pode chegar a ela por meio da atividade intelectual.
Do segundo ao quinto livro, ele estuda e analisa as virtudes morais, entre as quais se destacam:
–A voluntariedade. Quando tomamos consciência de nossos atos, adquirimos o poder de fazer o correto em vez do que é aceitável, pois agimos com responsabilidade.
–A fortaleza. Aristóteles afirma que “a pessoa valente age apesar do medo, mas não sem medo”. O excesso de temor é covardia, mas o excesso de confiança é precipitação.
–A temperança. É o equilíbio em relação aos prazeres, especialmente os que temos em comum com outros animais: a comida e o sexo.

KAFKA PARA SOBRECARREGADOS - DE ALLAN PERCY - PARTE 19 E 20


19 – Viver é nos desviarmos incessantemente. E nos desviamos de tal maneira que a confusão nos impede de saber do que estamos nos desviando.
O biólogo e consultor Enrique de Mora fala em seu livro Zig zag sobre a importância de, às vezes, nos desviarmos do caminho, pois isso nos afasta do trajeto mais curto e nos leva a lugares que de fato necessitamos ver.
Idealmente, para ir de um ponto a outro, o caminho reto é o mais curto, mas na trajetória de vida das pessoas costuma ser muito difícil evoluir em linha reta. É comum surgirem imprevistos que alteram nossa trajetória e que, aparentemente, nos fazem perder tempo. Ainda assim, saber enfrentar essas circunstâncias imprevistas, essas complicações, nos permite crescer como seres humanos. Sofrer um acidente parece não trazer nada de bom, mas, se formos capazes de extrair algum aprendizado da situação, sairemos fortalecidos. Aprendemos mais tendo de avançar contra o vento do que com o vento a nosso favor. Nas curvas que nos desviam de nossa estrada podemos encontrar muito mais lições. Tudo o que nos acontece nos convém. 

20 – O verdadeiro inimigo lhe transmite uma coragem sem limites.
Seu inimigo é seu melhor mestre, porque para enfrentá-lo você precisa utilizar toda a sua inteligência e sabedoria. Este ensinamento do Dalai-Lama é um provérbio exemplar, já que aponta para o excepcional espelho representado por aqueles que nos fazem sentir incomodados.
O escritor colombiano Nicolás Buenaventura Vidal explica com humor e lucidez as razões para arranjarmos bons inimigos:
– Um bom amigo pode nos abandonar, nos trair, nos decepcionar e até ser trocado por outro... mas um bom inimigo é para a vida toda.
– Os inimigos sempre dizem a verdade, sobretudo quando dói.
– De um amigo nunca se sabe o que esperar, mas dos inimigos sempre se pode esperar o pior.
Nicolás termina dizendo que o pior que pode nos acontecer em relação a um inimigo é nos tornarmos amigos. Em todo caso, afirma ele, a grandeza de um homem se mede pela qualidade de seus inimigos.