KAFKA PARA SOBRECARREGADOS - DE ALLAN PERCY - PARTE 21 e 22

21 – O vazio que a genialidade produz à nossa volta é um bom lugar para acendermos nossa pequena luz.
Antigamente acreditava-se que ter inspiração era receber um presente dos deuses. Existiam até orações para invocar as musas. Para a religião cristã, a inspiração era um dom do Espírito Santo.
O escultor italiano Michelangelo Buonarroti, no entanto, mostrou-se à frente do seu tempo ao falar sobre o vazio mencionado por Kafka. Esse grande artista do Renascimento era capaz de olhar para um bloco de mármore e ver dentro dele as formas que iria criar. Ele simplesmente precisava retirar a pedra que sobrava.
Se transpusermos essa ideia para nosso cotidiano, chegaremos à conclusão de que para criar beleza em nossa vida devemos apenas eliminar aquilo que nos sobra. Quando os maus hábitos, as ideias preconcebidas, o ódio, o rancor, a comparação com os outros e os demais parasitas mentais estão fora de nossa cabeça, cria-se o espaço necessário para se moldar uma existência bela. 
22 – Comece pelo que é correto, não pelo que é aceitável.
Esta verdade, muitas vezes esquecida, nos remete aos fundamentos da ética, como a proposta por Aristóteles a seu filho Nicômaco.
O ponto de partida da ética de Aristóteles é que o objetivo de todo ser humano é a felicidade e, para alcançá-la, é necessário estudar a natureza humana. A Ética a Nicômaco é composta de dez livros, cada um deles tendo, em média, dez capítulos. No primeiro livro, o autor determina em que consiste a felicidade e chega à conclusão de que só se pode chegar a ela por meio da atividade intelectual.
Do segundo ao quinto livro, ele estuda e analisa as virtudes morais, entre as quais se destacam:
–A voluntariedade. Quando tomamos consciência de nossos atos, adquirimos o poder de fazer o correto em vez do que é aceitável, pois agimos com responsabilidade.
–A fortaleza. Aristóteles afirma que “a pessoa valente age apesar do medo, mas não sem medo”. O excesso de temor é covardia, mas o excesso de confiança é precipitação.
–A temperança. É o equilíbio em relação aos prazeres, especialmente os que temos em comum com outros animais: a comida e o sexo.

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