KAFKA PARA SOBRECARREGADOS - DE ALLAN PERCY - PARTE 41 E 42


 41 – Tem muito medo de morrer porque ainda não viveu.
Franz Kafka sentia grande ADMIRAÇÃO pelo imperador Marco Aurélio, que escreveu em um de seus cadernos de campanha uma frase semelhante à citada acima.
O texto a seguir é uma lição magistral de como podemos nos antecipar às adversidades de forma que elas não nos derrubem:
Ao despontar a aurora, faça estas considerações prévias: depararei com um inconveniente, com um ingrato, com um insolente, com um mentiroso, com um invejoso, com um solitário. Tudo isso lhes acontece por ignorância do que é bom e do que é mal. Mas eu, que observei que a natureza do bem é o belo, que a natureza do mal é o vergonhoso, que a natureza do pecador é parente da minha própria natureza, porque participa não do mesmo sangue ou da meditação centrada na respiração consciente.

42 – Ainda que a salvação não chegue, quero ser digno dela a cada momento.
Essa reflexão nos remete novamente à imagem da resiliência e faz referência ao ideário de Viktor Frankl. Este psicólogo judeu, tal como Boris Cy rulnik, já citado aqui, viveu durante a Segunda Guerra Mundial uma via crucis por diversos campos de concentração nazistas. Entre outros, passou por dois dos mais terríveis: Auschwitz e Dachau. Sua esposa e seus pais foram assassinados pelos verdugos de Hitler.
Sobre essa assustadora experiência escreveu o livro Em busca de sentido.
Nele, Frankl conclui que o homem, por pior que sejam as adversidades em que se encontre, tem o poder de escolher, pois sempre poderá conservar um vestígio de sua liberdade espiritual. Pode-se arrancar tudo do homem, menos uma coisa, a última das liberdades humanas: a escolha da atitude pessoal diante das circunstâncias que vão definir seu próprio caminho.
Mesmo nas mais graves situações, temos a possibilidade de não nos deixar levar e manter intacta nossa dignidade e nossa liberdade interior. mesma semente, mas da inteligência e de uma parcela da divindade, não posso sofrer dano de nenhum deles, pois nenhum me cobrirá de vergonha; nem posso zangar-me com meu parente nem odiá-lo […]. Agirmos, pois, como adversários uns dos outros é contrário à natureza. E o fato de manifestar indignação e repulsa é atuar como adversários.

Nenhum comentário:

Postar um comentário