KAFKA PARA SOBRECARREGADOS - DE ALLAN PERCY - PARTE 63 E 64


63 – Você se preparou de maneira ridícula para este mundo.
Um dos contos curtos mais conhecidos de Franz Kafka tem como protagonistas um gato e um camundongo.
“Ai de mim!”, disse o camundongo, “o mundo está ficando menor a cada dia. No início era tão grande que me assustava, eu tinha de estar sempre correndo e correndo, e ficava contente quando via muros distantes à esquerda e à direita, mas essas paredes se estreitaram tão rapidamente que agora estou no último cômodo, e ali no canto está a ratoeira em que irei cair.”
“Você só precisa mudar de direção”, disse o gato, e o comeu. Esta estranha parábola reflete o sentimento muito humano de vagar por um mundo que se torna cada vez menor para nós, talvez porque tenhamos deixado de nos identificar com o papel que representamos nele. Isso acontece porque...
• Crescemos e nosso ambiente continua igualmente estreito.
(SOLUÇÃO: procurar outro ambiente, adequado à nossa medida.)
64 – Ou o mundo é muito diminuto, ou nós somos enormes; o fato é que o preenchemos completamente.
“Todo ser humano carrega consigo uma atitude pedante ou de superioridade inata. O que se deve fazer é reduzi-la ao máximo, já que é impossível eliminá-la por completo. Mesmo ter praticamente anulado o ego pode ser motivo de vaidade e orgulho. É uma faca de dois gumes. Ainda percebo atitudes do falso eu em muitas áreas da minha vida. Com um grupo de amigos ajo de determinada forma e, com outro, comporto-me de maneira bem diferente. Por que é assim? Por que não ajo do mesmo jeito com todos? Por que não consigo ser eu mesmo? É porque ainda existe uma máscara, uma couraça que tenta manter distância, proteger-se para não ser ferida. Garanto-lhes que isso acontece com todo ser humano na face da Terra que tem contato com outras pessoas. Isso não é pecado. Ainda assim, é uma imperfeição, é uma falta de aceitação de si mesmo. É uma fraqueza que deve ser identificada e eliminada (ou extirpada pouco a pouco) quanto antes.”
Dario Manoukian

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