NIETZSCH PARA ESTRESSADOS DE ALLAN PERCY - PARTE 12 E 13


12 – Só quem constrói o futuro tem o direito de julgar o passado
Em geral, quem constrói o futuro está muito ocupado para julgar o passado.
Desde pequenos, quando recebemos notas na escola, nos acostumamos com avaliações e julgamentos. Ao julgarmos o passado – de uma época ou de uma pessoa – sentimos a falsa segurança de ter fechado uma porta.
Ao mesmo tempo, todo julgamento esconde o orgulho de quem se considera dono da verdade. Também revela grande insegurança.
De sua posição inatingível, aquele que julga se comporta como soberano e crítico das ações alheias.
Como a vida é um caminho para a frente, é muito mais produtivo construir o que vai acontecer do que analisar o que já passou, como nos diz Nietzsche. Além disso, as pessoas que agem estão livres de preocupações, que normalmente ocupam a cabeça das que não se movem.
Podemos observar o mundo de duas maneiras: virando a cabeça para trás ou prestando atenção no que temos à nossa frente.
E você? Que caminho prefere?
13 – Alegrando-se por nossa alegria, sofrendo por nosso sofrimento – assim se faz um amigo
Oscar Wilde dizia que não é difícil encontrar pessoas dispostas a se compadecer de nossas provações, mas são raras aquelas que se alegram sinceramente com nossos triunfos. Um amigo assim, segundo o autor de O retrato de Dorian Gray, deve ter uma natureza muito pura.
Por que é tão difícil compartilhar os êxitos? Provavelmente porque, nesses momentos, a comparação é inevitável. Em vez de festejar a boa notícia, o interlocutor pergunta a si mesmo:“Por que não eu?”
Os verdadeiros amigos assinam um pacto de nobreza em relação a todos os aspectos do destino humano.
Sobre isso, Voltaire, que viveu um século antes de Nietzsche, afirmou:
A amizade é um contrato tácito entre duas pessoas sensíveis e virtuosas. Sensíveis porque um monge ou um solitário podem ser pessoas de bem e mesmo assim não conhecer a amizade. E virtuosas porque os malvados só têm cúmplices; os festeiros, companheiros de farra; os ambiciosos, sócios; os políticos reúnem os partidários ao seu redor; os vagabundos têm contatos; e os príncipes, cortesãos – mas só as pessoas virtuosas têm amigos.

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