NIETZSCH PARA ESTRESSADOS DE ALLAN PERCY - PARTE 44 E 45


44 – Todos os grandes pensamentos são concebidos ao se caminhar

Instruções para um passeio filosófico:
1. Abra espaço na sua agenda para um encontro consigo mesmo, marcando dia e hora, a fim de que nenhuma obrigação ou compromisso possa interferir na data.
2. Escolha um lugar que seja inspirador para você, seja por trazer lembranças especiais ou por produzir uma sensação de bem-estar.
3. Escolha o dia e o horário menos frequentados, para evitar distrações em seu passeio.
4. Anote em um caderno as questões que o preocupam, para pensar sobre elas em seu encontro pessoal. Tome nota também das conclusões mais importantes a que chegar.
5. Não determine um horário para o fim do passeio: nunca se sabe aonde a filosofia pode nos levar. Simplesmente retorne quando sentir que o encontro chegou ao fim.
6. Os melhores lugares para um passeio filosófico são aqueles próximos à natureza, museus, cemitérios e mesmo uma parte da cidade que você ainda não conheça.
7. Use roupas confortáveis. A filosofia não exige formalidade, mas faz mover as pernas.

45 – Quem não sabe guardar suas opiniões no gelo não deveria entrar em debates acalorados

Ou, como reza o ditado japonês: “O que quer que precise dizer, diga amanhã.” As discussões e os mal-entendidos que nascem das ações impulsivas são grandes fontes de estresse.
Aquele que quer ter sempre razão acaba se tornando impopular e acumula uma longa lista de ofensas e rancores. Para evitar isso, o escritor Richard Carlson recomenda:
• É muito melhor lidar de forma inteligente com o mundo do que lutar contra ele.
• Para se comunicar bem, evite interromper seu interlocutor ou completar as frases dele.
• Sempre que decidir ser amável em vez de ser o dono da verdade, estará tomando a decisão certa.
No final das contas, se deixarmos de impor nossas opiniões, com o tempo as outras pessoas acabarão percebendo os erros delas sem que tenhamos que nos desgastar com polêmicas vazias.
Como diz Nietzsche, é preciso deixar que as opiniões esfriem no gelo, a fim de tornarmos nossa vida mais fácil.

NIETZSCH PARA ESTRESSADOS DE ALLAN PERCY - PARTE 42 E 43



42 – Eis a tarefa mais difícil: fechar a mão aberta do amor e ser modesto como doador

O Filósofo Jiddu Krishnamurti discorre da seguinte maneira sobre o que significa amar:
Liberdade e amor andam juntos. Amor não é reação. Se eu o amo porque você me ama, trata-se de mero comércio, algo que pode ser comprado no mercado. Amar é não pedir nada em troca, é nem mesmo sentir que se está oferecendo algo. Somente um amor assim pode conhecer a liberdade. (...) Quando vemos uma pedra pontiaguda em um caminho frequentado por pedestres descalços, nós a retiramos não porque nos pedem, mas porque nos preocupamos com os outros, não importa quem sejam. Plantar uma árvore e cuidar dela, olhar o rio e desfrutar a plenitude da terra... para tudo isso é preciso liberdade – e, para ser livre, é preciso amar.
Essa liberdade é o que permite a duas pessoas amarem-se sem imposição. Também está por trás do amor universal: uma atitude generosa do indivíduo com o mundo; dar pelo simples prazer de fazê-lo, sem esperar nada em troca, nem sequer reconhecimento.

43 – A arrogância por parte de quem tem mérito nos parece mais ofensiva que a arrogância de quem não o tem: o próprio mérito é ofensivo
Com este aforismo, Nietzsche faz referência ao perigo da comparação, com a qual sempre perdemos. A comparação e a inveja que a acompanha refletem uma admiração mal administrada, que, em vez de ajudar na superação pessoal, acaba agindo como um obstáculo à nossa capacidade.
Esse sentimento, definido como “desgosto pela alegria alheia”, faz com que o invejoso tenha dificuldade de se relacionar de forma positiva com o que o cerca, já que as pessoas que ele inveja costumam ser muito próximas.
Para combater a inveja, os psicólogos recomendam que deixemos de encarar a prosperidade alheia como algo que nos deprecia. O sucesso de um companheiro de trabalho não significa nosso fracasso. Ao contrário, nos mostra o caminho que devemos percorrer. Quando substituímos a inveja pelo desafio, os méritos e as qualidades dos outros se transformam em um convite para nossa superação.
A melhor comparação é a que fazemos com nós mesmos. De onde estamos, podemos aspirar à conquista do lugar que gostaríamos de ocupar.

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 40 – As posições extremas não são seguidas de posições moderadas, e sim de posições extremas contrárias

Um dos ensinamentos do Tao Te Ching diz o seguinte:
A afeição extrema significa um grande desgaste e as posses abundantes, grandes perdas. Se você perceber quando tiver o suficiente, não entrará em desgraça. Se souber quando parar, não estará em perigo. Dessa forma, é possível viver muito tempo. O chamado “caminho do meio” é um dos pilares do budismo.
Para Siddhartha Gautama, a felicidade e a ausência de problemas estão em saber encontrar o ponto equidistante entre o fácil e o difícil, o superficial e o profundo, o prazer e a dor. Quem busca extremos corre o risco de passar da virtude à maldade, como adverte Nietzsche, já que as paixões costumam levar a ações desmedidas.
Encontrar o equilíbrio no momento de agir não significa ter medo nem falta de iniciativa, mas alcançar um horizonte suficientemente amplo para entender que a verdade – e, o que é ainda mais importante, a conveniência – nunca será encontrada nas posturas radicais.
Como disse Aristóteles: “A virtude consiste em saber encontrar o meio-termo entre dois extremos.”
41 – Preciso de companheiros, mas de companheiros vivos, não de cadáveres que eu tenha que levar nas costas por toda parte
Sobre a amizade, Nietzsche recomenda: “Seja para seu amigo um leito de repouso, mas um leito duro, como uma cama de campanha.” Sem dúvida, nossos companheiros mais valiosos são aqueles capazes de festejar nossas vitórias, como dizia Oscar Wilde, mas também aqueles capazes de nos fazer enxergar que estamos equivocados.
As pessoas que nos advertem sem levar em conta o que esperamos escutar, apenas pelo nosso bem – nem sempre as duas coisas estão juntas: há quem censure por rancor –, são as que nos permitem melhorar. Esta seria a definição de um bom amigo: alguém diante do qual podemos nos comportar de forma autêntica e que nos ajuda a vencer os obstáculos da vida. E muitos desses obstáculos somos nós mesmos que colocamos no nosso caminho.
Por isso, os grandes líderes da história não se deixaram levar por bajuladores, mas escolheram, para ficar ao seu lado, pessoas capazes de transmitir a própria opinião sobre as coisas. Com companheiros assim, multiplicamos nossa compreensão do mundo e, consequentemente, nosso poder. 

TRABALHO EM AULAS DE ARTES COM ALUNOS DO 8ª.SÉRIE 4 , DO PROF RAFAEL








NIETZSCH PARA ESTRESSADOS DE ALLAN PERCY - PARTE 38 E 39


38 – Há mais sabedoria no seu corpo do que na sua filosofia mais profunda

Dicionário de linguagem não verbal – O que significam nossos gestos?
• Acariciar o queixo: reflexão antes de uma decisão.
• Cruzar os braços: atitude defensiva.
• Inclinar a cabeça para a frente: interesse pelo que se ouve.
• Entrelaçar os dedos: autoridade, espera por reações.
• Esfregar o olho: dúvida, incredulidade.
• Mexer no cabelo: insegurança, desejo de seduzir.
• Comprimir os lábios: desconfiança, desagrado.
• Levar a mão à bochecha: avaliação, reflexão.
• Levar as mãos aos quadris: disposição para fazer ou dizer algo importante.
• Esfregar as mãos: antecipar algo que está por acontecer.
• Tamborilar: impaciência, pressa.
• Olhar para o chão: não acreditar totalmente no que está sendo dito.
• Abrir as mãos com as palmas voltadas para cima: sinceridade, inocência.
• Cruzar as pernas, deixando um dos pés em movimento: chateação ou impaciência.
• Sentar-se na beira da cadeira: vontade de ir embora.
• Sentar-se com as pernas abertas: atitude relaxada.
• Unir os calcanhares: medo, apreensão.

39 – Se ficar olhando muito tempo para o abismo, o abismo olhará para você
O universo é um espelho que nos devolve nossos pensamentos. Os budistas explicam: quando olhamos o mundo, deixamos nele a nossa marca. Por isso, as pessoas negativas estão sempre sofrendo contratempos e as positivas parecem ter muita sorte.
Esse princípio é a base de O segredo, de Rhonda Byrne, que fala da lei da atração. Veja como isso é explicado por Lisa Nichols, em um dos testemunhos registrados no livro:
A lei da atração está em todos os lugares. Ela atrai tudo para você: as pessoas, o trabalho, as circunstâncias, a saúde, a riqueza, as dívidas, a felicidade, o carro que dirige, o lugar onde mora. Atrai tudo como se você fosse um ímã. Você atrai o que pensa. Sua vida é uma manifestação dos pensamentos que passam pela sua mente. Sendo assim, como controlar a lei da atração para conseguir o que desejamos? Segundo os depoimentos do livro citado, é preciso realizar quatro coisas:
1. Saber o que se quer e pedir ao Universo.
2. Concentrar-se nos desejos com entusiasmo e gratidão.
3. Sentir e se comportar como se o desejo já tivesse sido realizado.
4. Estar aberto a recebê-lo.

NIETZSCH PARA ESTRESSADOS DE ALLAN PERCY - PARTE 36 E 37



36 – A mentira mais comum é a que um homem usa para enganar a si mesmo

Nietzsche dizia que “enganar os outros é um defeito relativamente insignificante”; o que nos transforma em monstros é o autoengano.
Uma forma de mentirmos para nós mesmos – e grande fonte de estresse – é imaginar que estamos sempre certos e que o resto do mundo está errado.
Existe uma piada que ilustra muito bem esse posicionamento: um motorista segue em uma estrada de mão única e escuta pelo rádio que um carro está circulando na mesma via, mas na contramão, colocando todo o tráfego em perigo. Após ouvir a advertência, o motorista diz: “Um carro, não. Todos!”
Para o ser humano, é muito mais fácil concluir que os outros estão errados do que aceitar o próprio erro. É aí que nasce a depressão, pois, quando vemos todos os outros veículos trafegando no sentido contrário, o mundo se transforma em um lugar hostil, que parece ter sido criado para frustrar nossa felicidade.
Às vezes, basta assumir humildemente que você estava errado.
Como diz um aforismo indiano: “É mais fácil calçar um chinelo do que estender tapetes por toda parte.” 

37 – Deveríamos considerar perdido o dia em que não dançamos nenhuma vez

Este pensamento pode parecer estranho, especialmente vindo de alguém tão atormentado como Nietzsche. No entanto, muitos daqueles que se aproximam do abismo da existência se elevaram antes a alturas esplêndidas.
A dança talvez seja a expressão mais genuína da alegria humana. Na verdade, nas tribos antigas, se dançava para evocar espíritos, atrair a chuva e também preparar o terreno para uma caçada.
Os estudos atuais de terapia pela dança demonstram que essa atividade, em qualquer de suas formas, tem várias aplicações curativas:
• Ao dançar, aumentamos a consciência do próprio corpo e entendemos melhor como ele se relaciona com as outras pessoas.
• A dança ativa a espontaneidade e a confiança em si mesmo. É especialmente indicada para pessoas tímidas, pois serve como uma forma alternativa de comunicação.
• Dançar alivia as tensões, tanto físicas quanto psicológicas.
• A dança nos permite conhecer nossos sentimentos ao expressá-los como movimentos no espaço.

AULA DE ARTES COM OS ALUNOS DA 8ª. 4, DO PROF RAFAEL ADILSON UESSLER







NIETZSCH PARA ESTRESSADOS DE ALLAN PERCY - PARTE 34 E 35



34 – Quem luta contra monstros deve ter cuidado para não se transformar em um deles

Os cínicos costumam se esconder por trás da maldade do mundo para dar asas à própria perversão. No entanto, os atos alheios nunca justificam os nossos.
Nesta reflexão, Nietzsche faz referência às dificuldades da vida como uma escola que pode nos endurecer ou até nos transformar em pessoas cruéis, ainda que, no final, essa seja uma opção pessoal.
Contra os determinismos negativos, Viktor Frankl comentou no livro Em busca de sentido que até nas circunstâncias mais adversas o ser humano tem o direito de decidir qual será sua postura diante do mundo. Sobre sua passagem pelo inferno de Auschwitz, Viktor relatou que alguns prisioneiros se embruteciam e colaboravam em atos de tortura, agindo contra os próprios companheiros, ao passo que outros consolavam os doentes acamados e dividiam com eles seu último pedaço de pão.
Referindo-se ao conceito budista de dor e de sofrimento, ele afirmou:“Mesmo que não esteja em suas mãos mudar uma situação dolorosa, é sempre possível escolher a forma de lidar com o sofrimento.”

35 – São muitas as verdades e, por esse motivo, não existe verdade alguma
tensão que nasce do apego a uma opinião imutável a respeito de tudo – o que faz o resto do mundo parecer hostil – pode ser remediada com a prática da empatia. Basta se colocar no lugar do outro para ver as coisas do ponto de vista dele.
No livro Os seis chapéus do pensamento, Edward de Bono desenvolveu um jogo para transformar a mente por meio de seis “chapéus mágicos”, que podemos ir provando ao abordar determinado problema ou situação. São eles:
• Chapéu branco. Ele nos faz enxergar os acontecimentos de forma objetiva. Essa maneira de pensar avalia os dados de forma fria e analítica.
• Chapéu cinza. É o da lógica negativa. Ele nos leva a enxergar o que está ruim e a prever o que pode dar errado.
• Chapéu verde. Trata-se da forma mais criativa de pensar, que considera apenas ideias novas, trabalhando com todas as possibilidades e inspirações.
• Chapéu vermelho. Faz prevalecer os sentimentos, bem como as intuições que nascem de nossa sabedoria interior.
• Chapéu amarelo. É o da lógica positiva, do pensamento otimista voltado para o que é viável e seus possíveis benefícios.
• Chapéu azul. É analítico e nos ajuda a entender como chegamos a determinadas ideias.

NIETZSCH PARA ESTRESSADOS DE ALLAN PERCY - PARTE 32 E 33


32 – No amor sempre existe algo de loucura e na loucura sempre existe algo de razão

Já que nos referimos ao amor louco, deixaremos este capítulo aos cuidados de um homem que amou a vida, o humor e o amor com total irreverência e genialidade. Com vocês, Julius Henry Marx, ou Groucho, para os íntimos.
O problema do amor é que muitos o confundem com a gastrite e, quando se curam da indisposição, percebem que estão casados.
O amor é uma insanidade temporária que só o casamento cura.
As noivas modernas preferem ficar com o buquê e jogar fora o marido.
O homem não controla o próprio destino. É a mulher de sua vida que faz isso por ele.

33 – Quem deseja aprender a voar deve primeiro aprender a caminhar, a correr, a escalar e a dançar. Não se aprende a voar voando
Fazer qualquer coisa antes de estar preparado gera estresse e frustração. Como diz Nietzsche neste aforismo, quem espera levantar voo sem antes passar pelo aprendizado básico está condenado a uma queda da qual não se reerguerá.
Isso nos leva de novo aos ritos de passagem ou iniciação. O ser humano que conhece suas possibilidades sabe enfrentar as provas que a vida lhe impõe, que são como degraus para que ele alcance os níveis seguintes.
Por isso é importante, diante de um grande objetivo, saber graduar os passos, que devem ser conquistados pouco a pouco.

PROJETO: UM LUGAR FELIZ NA ESCOLA APRESENTA TEATRO:OTHELITO,SHAKESPEARE PARA CRIANÇAS E ADOLESCENTES







PROJETO: UM LUGAR FELIZ NA ESCOLA APRESENTA TEATRO:OTHELITO,SHAKESPEARE PARA CRIANÇAS E ADOLESCENTES


A 34ª. SECRETARIA DE ESTADO DE DESENVOLVIMENTO REGIONAL DE TAIÓ - GERED QUER OPORTUNIZAR AS CRIANÇAS E ADOLESCENTES, ESTUDANTES DO ENSINO FUNDAMENTAL DAS ESCOLAS DA SDR DE TAIÓ, VERSÃO INFANTIL DA PEÇA OTHELO DE WILLIAM SHAKESPEARE.









NIETZSCH PARA ESTRESSADOS DE ALLAN PERCY - PARTE 30 E 31

 

30 – A maneira mais eficaz de corromper o jovem é ensiná-lo a admirar aqueles que pensam como ele e não os que pensam de forma diferente

A existência de um grande número de seitas, times de futebol e partidos políticos revela que o ser humano se sente confortável dentro de uma comunidade em que a linha de pensamento é estabelecida de antemão.
Pensar é um trabalho árduo. Não é à toa que não é ensinado nos colégios e a filosofia tem peso quase insignificante no currículo escolar.
A consequência lógica de não pensar é seguir sempre os outros, abrindo mão da capacidade de tomar decisões e traçar o próprio destino.
Além disso, reduzir nossa mentalidade a uma única perspectiva faz com que entremos constantemente em conflito com os que seguem outros caminhos, o que acaba sendo mais uma fonte de estresse.
Um exercício para manter a mente aberta seria comprar, de vez em quando, um jornal com tendência política diferente da nossa, assistir à programação de uma emissora de TV que nunca sintonizamos ou, ainda, ler um autor de cujas ideias discordamos.
No final, nos daremos conta de que existem outros mundos dentro do nosso.

31 – Toda queixa contém em si uma agressão
Conviver com pessoas viciadas em reclamar é um tormento, pois o desgaste mental e a negatividade desse tipo de personalidade acabam contagiando tudo ao redor. É por isso que Nietzsche se refere à queixa em si como uma agressão, tanto para quem reclama quanto para os pobres interlocutores.
O mais curioso é que as pessoas que sofrem desse mal geralmente não têm consciência disso. Mas talvez exista uma forma de fazer com que elas enxerguem as inconveniências de seu modo de agir. Faça com que saibam que:
• Ninguém presta atenção de verdade aos lamentos dos outros.
• Os que insistem em ficar se lamentando sem parar acabam sendo inoportunos, chegando ao ponto de serem evitados pelos demais.
• Expressar uma situação negativa não ajuda a resolvê-la. Na verdade, paralisa a ação, pois a queixa incessante se torna cansativa também para quem a produz.
Além disso, por trás da negatividade existe um sinal de impotência que não passa despercebido. Como afirmava Confúcio:
“Os que se queixam da forma como a bola quica são os que não sabem arremessá-la.”

NIETZSCH PARA ESTRESSADOS DE ALLAN PERCY - PARTE 28 E 29


28 – O futuro influi no presente da mesma maneira que o passado

O presente é um estado tão difícil de ser alcançado que a afirmação de Nietzsche não deveria nos chocar se analisássemos bem o que ele está dizendo. Ninguém duvida de que o passado tem influência no que somos,  pois, juntamente com nossa herança genética, constituímos o produto de nosso caminhar pelo mundo.
No entanto, o futuro também nos molda, pois, tendo o passado nas costas, construímos o dia a dia de acordo com os objetivos que estabelecemos para nós mesmos. O ideal seria fazer com que o futuro não esteja muito distante de nossos atos – pois isso nos levaria ao terreno da eterna fantasia – e cuidar para que o passado não seja uma carga demasiado pesada.
Viver no passado às vezes pode se transformar em uma doença, que apresenta dois sintomas mais evidentes:
• Melancolia recorrente. A evocação de bons momentos do passado pode ser uma fonte de prazer, mas, quando se torna um hábito, acabamos nos privando do presente, que deveria ser a fonte de nossas lembranças futuras.
• Rancor. Manter abertas as feridas do passado impede que elas cicatrizem e não nos permite desfrutar o que acontece aqui e agora. Além disso, o tempo tende a deformar o acontecido e, às vezes, um episódio insignificante pode ganhar falsa importância.

29 – Não deveríamos tentar deter a pedra que já começou a rolar morro abaixo; o melhor é dar-lhe impulso

Eis um pensamento taoísta: em vez de se opor a uma força contrária – o que acabaria dobrando a potência do impacto –, as leis do Universo aconselham a se unir a ela e usá-la para os próprios interesses.
Muitas artes marciais utilizam o mesmo princípio: direcionar a força existente é muito mais efetivo que se opor a ela. Por isso, o lutador de judô acolhe o golpe do oponente e canaliza a energia dele em benefício próprio.
Aplicando essa sabedoria ao nosso cotidiano, já que uma das finalidades deste livro é neutralizar o estresse, uma medida muito útil é evitar – a menos que seja impossível – tudo o que implique problemas com o que nos cerca, como por exemplo:
• Discutir quando os nervos estão à flor da pele.
• Tentar modificar a opinião de uma pessoa que esteja absolutamente resoluta.
• Enviar um e-mail cinco minutos após ter se desentendido com alguém (é preciso deixar que se passem pelo menos 24 horas).
• Querer ganhar a amizade de quem já demonstrou que não gosta de você.

NIETZSCH PARA ESTRESSADOS DE ALLAN PERCY - PARTE 26 E 27



26 – Não há razão para buscar o sofrimento, mas, se ele surgir em sua vida, não tenha medo: encare-o de frente e com a cabeça erguida

Em um de seus aforismos mais célebres, Buda disse que “a dor é inevitável, mas o sofrimento é opcional”. Do nascimento à morte, a vida está repleta de dor, mas o sentido que damos a essa dor só depende de nós. Se a encararmos de forma trágica, ela se transformará em sofrimento.
Uma coisa é o que acontece no exterior e outra é o que se dá no interior de cada indivíduo. Aquele que tem medo de enfrentar a dor a receberá sempre como uma maldição. Ele nunca saberá o que fazer com a escuridão que toma conta de sua vida, que antes parecia tão feliz.
O filósofo lida com a dor e tenta extrair dela um benefício em forma de conhecimento. Mesmo os momentos mais duros da vida, como quando sofremos uma terrível perda, são portas abertas em direção a algo que precisávamos conhecer. Se estivermos conscientes de que todo fim é ao mesmo tempo um começo, a dor e o possível sofrimento serão para nós uma escola que nos permitirá entender mais profundamente o que significa ser humano.

27 – A razão começa na cozinha

Da mesma forma que a gastronomia de uma região define seus valores e sua visão de mundo, o que acontece na oficina do estômago – como dizia Cervantes – revela nosso momento espiritual.
O documentário de Doris Dörrie How to Cook Your Life (Como cozinhar sua vida) discute questões essenciais sobre a alimentação e sua importância em nosso modo de viver. O filme está centrado no cozinheiro zen Edward Brown, que conta aos discípulos o segredo de sua arte: na verdade, são os alimentos que nos cozinham.
Ele vê no ato de cozinhar – de fazer pão a escolher e picar hortaliças – uma demonstração de amor por si mesmo e pelos outros. Que atividade humana tem maior transcendência que a preparação do combustível para nosso veículo vital?
Mal comparando, se pusermos o combustível errado em um automóvel, ele acabará apresentando algum defeito. Assim, o momento de comer não deveria ser um ato rotineiro, sem importância.
Quando preparamos nossos alimentos, estamos fazendo uma escolha transcendente para a saúde e o espírito.

NIETZSCH PARA ESTRESSADOS DE ALLAN PERCY - PARTE 24 E 25



24 – Quem é ativo aprende sozinho

Como filósofo, Nietzsche passou longos períodos de solidão e isolamento. Mas ninguém precisa se transformar em ermitão nem se aproximar dos abismos da loucura, como fez o pensador no fiNal da vida: um breve retiro de vez em quando pode ser o suficiente para assimilar o que foi vivido e preparar novos projetos. Esvaziar o copo para voltar a enchê-lo.
O poeta espanhol Antonio Machado disse: “Quem fala sozinho espera falar com Deus um dia.” Certamente é em períodos de desconexão como esses que nos voltamos para nosso interior e somos capazes de guiar nossa sorte.
Além dos benefícios psicológicos, a medicina menciona as seguintes vantagens orgânicas de um período de solidão:
1. Redução da pressão arterial.
2. Diminuição do ritmo dos batimentos cardíacos e da respiração.
3. Neutralização do estresse.
4. Fortalecimento do sistema imunológico.
5. Recuperação do ânimo.
6. Estímulo da atividade cerebral.
7. Melhora das tensões musculares.

25 – Nossas opiniões são a pele na qual queremos ser vistos

Nossos julgamentos dizem mais sobre nós mesmos do que sobre aqueles que julgamos. Cada opinião é uma gota no vasto oceano do caos e por isso podemos dizer que o homem mais sábio é aquele capaz de passar pelo mundo sem emitir qualquer juízo.
O diretor de cinema japonês Akira Kurosawa lançou, em 1950, a obra-primaRashomon, sobre o caráter volúvel e caprichoso das opiniões, que demonstra que cada um só enxerga o que quer.
O filme trata do estupro de uma mulher e do aparente assassinato de seu marido. Cada uma das testemunhas do crime – que incluem o bandido e o marido morto, representado por um médium – oferece uma versão completamente diferente dos fatos. A conclusão é que não podemos conhecer a verdade. Da mesma forma que as testemunhas contam a verdade que mais lhes convém, nossa opinião sempre nos denuncia. Ao partilhar um ponto de vista sobre qualquer assunto, revelamos nossas motivações e nossos desejos mais íntimos.

NIETZSCH PARA ESTRESSADOS DE ALLAN PERCY - PARTE 22 E 23


22 – Os maiores êxitos não são os que fazem mais ruído e sim nossas horas mais silenciosas

Como diz um dos poemas mais célebres do taoísmo, no silêncio e no vazio todas as coisas estão presentes em potencial. A mente é como um copo: antes de enchê-la, devemos esvaziá-la. Do vazio e do não ser surge a criatividade.
Uma das histórias da tradição taoísta fala da dificuldade que temos em viver além do ruído das palavras.
Num templo distante, erguido nas montanhas do Japão, quatro monges decidiram fazer um retiro que exigia silêncio absoluto. O frio era intenso e, quando uma onda de ar gelado entrou no templo, o monge mais jovem disse:
– A vela se apagou!
– Por que você está falando? – repreendeu o monge mais idoso.
– Estamos fazendo uma cura pelo silêncio!
– Não entendo por que vocês estão falando em vez de calarem a boca, como foi combinado! – gritou o terceiro monge, indignado.
– Eu sou o único que não disse nada! – declarou, satisfeito, o quarto monge.

23 – O indivíduo sempre lutou para não ser absorvido por sua tribo. Se fizer isso, você se verá sozinho com frequência e, às vezes, assustado. Mas o privilégio de ser você mesmo não tem preço

Os verdadeiros desbravadores devem estar sempre dispostos a percorrer sozinhos boa parte do caminho. Na vida, existem momentos para se andar em grupo – na escola ou na universidade, entre amigos, com seu parceiro – e momentos em que o indivíduo precisa ser capaz de tomar o próprio rumo no bosque das decisões.
Quando passamos sozinhos por um trecho crucial, sentimos medo, pois temos que carregar toda a responsabilidade pelos nossos atos. Não há ninguém por perto a quem possamos culpar se algo der errado. E, no entanto, também nos sentimos cheios de coragem.
Alguns viajantes comentam a sensação de força que experimenta aquele que se separa do grupo. Enquanto está com os demais, sua vontade se dilui. Mas, quando toma as próprias decisões, em silêncio, ele se sente senhor do seu destino. De repente, percebe que está extraordinariamente atento ao que acontece ao redor.
Em algum momento você terá medo, mas a consciência de sua própria força será compensadora. Como dizia Nietzsche: “Ser independente é para poucos. É um privilégio dos fortes.”

NIETZSCH PARA ESTRESSADOS DE ALLAN PERCY - PARTE 20 E 21


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20 – O homem é, antes de tudo, um animal que julga

Cada opinião que manifestamos – para não falar dos preconceitos – é um filtro que colocamos entre nós e a realidade. Os budistas praticam a meditação para limpar a mente e a visão que têm da vida. Eis um exercício clássico de iniciação:
1. Sente-se sobre uma almofada grande e firme, com a coluna ereta, se possível em posição de lótus ou meio lótus. As pessoas com problemas de flexibilidade podem usar uma cadeira com espaldar reto.
2. Deixe cair as pálpebras – mas não feche totalmente os olhos – e coloque as mãos no colo, de forma que os polegares se toquem, ou então pouse as palmas das mãos suavemente sobre os joelhos.
3. Concentre sua atenção nas narinas, por onde o ar deve entrar e sair bem lentamente. Se achar difícil, conte o número de inspirações até chegar a 100. Se perder a conta, volte ao começo. Quando for capaz de meditar por 15 minutos sem perder a concentração, não precisará mais contar.
4. O objetivo da meditação é esvaziar a mente. Sempre que aparecer um pensamento, imagine que se trata de uma nuvem na qual você põe uma etiqueta com a palavra “pensamento” e deixa passar sem fazer julgamentos. Os pensamentos não são bons nem maus: são nuvens que passam.

21 – A melhor arma contra o inimigo é outro inimigo

Uma guerra não é travada apenas nos campos de batalha tradicionais, em que tropas tentam aniquilar umas às outras. Graças à gana de poder de que falava Nietzsche, a luta acontece em qualquer área em que os seres humanos disputem influência.
Existem disputas pelo poder em qualquer grupo de trabalho e até mesmo em um casal, quando os dois membros usam suas armas para conseguir o papel central.
Nós, seres humanos, somos animais territoriais e estamos o tempo todo tentando aumentar nossos domínios, inclusive o emocional.
Como nem sempre encontramos um inimigo para opor ao inimigo que está nos assediando, às vezes precisamos recorrer a outras estratégias. O tratado mais antigo para qualquer tipo de luta nesses casos é A arte da guerra, de Sun Tzu, que chega à seguinte conclusão:
Se conhecer seu inimigo e a si mesmo, ainda que você enfrente 100 batalhas, nunca sairá derrotado. Se não conhecer seu inimigo, mas conhecer a si mesmo, suas chances de perder ou ganhar serão as mesmas. Se não conhecer o inimigo nem a si mesmo, pode ter certeza de que perderá todas as batalhas.

NIETZSCH PARA ESTRESSADOS DE ALLAN PERCY - PARTE 18 E 19















18 – As pessoas nos castigam por nossas virtudes. Só perdoam sinceramente nossos erros

O contrário do amor não é o ódio, mas a indiferença. Quem parece nos detestar nutre, no fundo, uma admiração oculta por nós. A inveja funciona da mesma forma. A fúria do invejoso sempre se direciona para um êxito.
Schopenhauer, filósofo que inspirou Nietzsche, afirmou o seguinte a esse respeito: “A inveja dos homens mostra quão infelizes eles se sentem e a atenção constante que dão ao que fazem os demais mostra como sua vida é tediosa.”
Isso não quer dizer que não devemos tomar cuidado com os invejosos, que, cegos pela paixão negativa que os move, podem nos criar problemas. Como falar sobre a inveja não resolve nada – ninguém reconhece essa disfunção emocional –, o mais sensato é evitar envolver o invejoso em nossos planos, pois sua tendência inconsciente será tentar nos boicotar.
Quando falamos sobre um projeto promissor a uma pessoa dessas, ela logo trata de apontar as falhas para nos desanimar, para que não sigamos adiante. Por esse mesmo motivo, convém ocultar nossos êxitos sempre que possível. Dessa forma poupamos sofrimento e evitamos a carga emocional negativa que poderia nos atingir.

19 – O reino dos céus é uma condição do coração e não algo que cai na terra ou que surge depois da morte

Uma história da tradição zen conta que um guerreiro samurai foi ver o mestre Hakuin e perguntou:
– O inferno existe? E o céu? Onde estão as portas que levam a um e a outro? Por onde posso entrar?
– Quem é você? – perguntou Hakuin.
– Sou um samurai – respondeu o guerreiro –, um chefe de samurais. Sou digno do respeito do imperador.
Hakuin sorriu e respondeu:
– Samurai? Você parece um mendigo.
Com o orgulho ferido, o samurai desembainhou sua espada.
Estava a ponto de matar Hakuin quando este lhe disse:
– Esta é a porta do inferno.
Imediatamente, o samurai entendeu. Ao guardar a espada na bainha, Hakuin disse:
– E esta é a porta do céu.