NIETZSCH PARA ESTRESSADOS DE ALLAN PERCY - PARTE 24 E 25



24 – Quem é ativo aprende sozinho

Como filósofo, Nietzsche passou longos períodos de solidão e isolamento. Mas ninguém precisa se transformar em ermitão nem se aproximar dos abismos da loucura, como fez o pensador no fiNal da vida: um breve retiro de vez em quando pode ser o suficiente para assimilar o que foi vivido e preparar novos projetos. Esvaziar o copo para voltar a enchê-lo.
O poeta espanhol Antonio Machado disse: “Quem fala sozinho espera falar com Deus um dia.” Certamente é em períodos de desconexão como esses que nos voltamos para nosso interior e somos capazes de guiar nossa sorte.
Além dos benefícios psicológicos, a medicina menciona as seguintes vantagens orgânicas de um período de solidão:
1. Redução da pressão arterial.
2. Diminuição do ritmo dos batimentos cardíacos e da respiração.
3. Neutralização do estresse.
4. Fortalecimento do sistema imunológico.
5. Recuperação do ânimo.
6. Estímulo da atividade cerebral.
7. Melhora das tensões musculares.

25 – Nossas opiniões são a pele na qual queremos ser vistos

Nossos julgamentos dizem mais sobre nós mesmos do que sobre aqueles que julgamos. Cada opinião é uma gota no vasto oceano do caos e por isso podemos dizer que o homem mais sábio é aquele capaz de passar pelo mundo sem emitir qualquer juízo.
O diretor de cinema japonês Akira Kurosawa lançou, em 1950, a obra-primaRashomon, sobre o caráter volúvel e caprichoso das opiniões, que demonstra que cada um só enxerga o que quer.
O filme trata do estupro de uma mulher e do aparente assassinato de seu marido. Cada uma das testemunhas do crime – que incluem o bandido e o marido morto, representado por um médium – oferece uma versão completamente diferente dos fatos. A conclusão é que não podemos conhecer a verdade. Da mesma forma que as testemunhas contam a verdade que mais lhes convém, nossa opinião sempre nos denuncia. Ao partilhar um ponto de vista sobre qualquer assunto, revelamos nossas motivações e nossos desejos mais íntimos.

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